São Tomé e Príncipe: 5 Rotas Inesquecíveis Entre Praias, Cacau e Floresta Tropical



Confesso que parti para São Tomé sem saber exatamente o que esperar. Sabia que encontraria praias bonitas, natureza exuberante e calor tropical. O que não imaginava era regressar a casa tão apaixonada por um destino.

Ao longo de vários dias percorri a ilha de São Tomé de uma ponta à outra. Visitei plantações de cacau e café, caminhei até ao Marco do Equador, mergulhei em praias quase desertas, explorei cascatas escondidas na floresta tropical e conheci alguns dos lugares mais emblemáticos do país.

Este artigo reúne todas essas experiências. Se estás a pensar visitar São Tomé e Príncipe, espero que estas rotas te ajudem a planear a viagem. E se ainda não pensaste nisso... espero que no final desta leitura fiques com vontade de reservar um voo!

Um pouco de história

Situado no Golfo da Guiné, a cerca de 250 Km da costa ocidental africana, São Tomé e Príncipe é um arquipélago vulcânico composto por duas ilhas principais e vários ilhéus. As ilhas foram descobertas pelos navegadores portugueses entre 1470 e 1471 e encontravam-se desabitadas. Apesar das dificuldades iniciais associadas ao clima equatorial e ao isolamento geográfico, Portugal iniciou o povoamento do arquipélago, que rapidamente se tornou num importante ponto estratégico nas rotas marítimas do Atlântico. Durante o séc. XVI, São Tomé destacou-se como um dos maiores produtores de açúcar do mundo, graças às condições ideais para a agricultura e à utilização de mão de obra escravizada proveniente do continente africano.

Com o declínio da indústria açucareira, a economia das ilhas reinventou-se. No séc. XIX, chegaram novas culturas agrícolas, entre elas o café e o cacau, introduzidos a partir do Brasil. O cacau adaptou-se particularmente bem ao clima húmido e fértil do arquipélago, tornando-se rapidamente o principal produto de exportação. No início do séc. XX, São Tomé e Príncipe chegou mesmo a ser o maior produtor mundial de cacau, ganhando fama internacional pela qualidade dos seus grãos e o apelido de “Ilha do Chocolate”. Foi nesta época que surgiram muitas das grandes roças que ainda hoje marcam a paisagem e constituem alguns dos locais mais interessantes para visitar.

Após mais de cinco séculos de administração portuguesa, São Tomé e Príncipe conquistou a independência a 12 de julho de 1975. Atualmente, é um dos países mais pequenos de África, com cerca de 230 mil habitantes, tendo o português como língua oficial. A herança portuguesa continua bem presente na arquitetura, na gastronomia e em vários aspetos da vida quotidiana, coexistindo com tradições africanas que conferem ao país uma identidade cultural única.

Apesar da sua história rica e da extraordinária beleza natural, São Tomé e Príncipe continua a ser um destino relativamente pouco conhecido (ainda bem!). Recebe cerca de 40 mil visitantes por ano, um número reduzido quando comparado com outros destinos tropicais. O turismo desenvolve-se de forma tranquila e sustentável, sem grandes complexos turísticos ou turismo de massas. É precisamente essa autenticidade, aliada à história das roças, às paisagens exuberantes e à hospitalidade do povo santomense, que faz deste pequeno país um destino tão especial para quem procura descobrir uma África diferente.

Vai à Ilha do Príncipe!

São Tomé está longe, não é uma viagem que se realize todos os anos e, para além disto, sai caro ser turista aqui. Por isso, aproveita que já cá estás para ir ao Príncipe.

Confesso que, antes de viajar para São Tomé e Príncipe, só me concentrei em pesquisar o que fazer na ilha principal. No entanto, bastaram poucas horas no Príncipe para perceber que esta pequena ilha tinha algo de verdadeiramente único. Mais selvagem, mais tranquila e ainda mais preservada, é um daqueles lugares que nos fazem abrandar o ritmo e simplesmente apreciar a natureza. Como três dias não chegam para contar tudo o que vivi por lá, decidi dedicar-lhe um artigo próprio: Ilha do Príncipe: o que fazer em 3 dias. Afinal, há lugares que merecem ser contados com calma... e o Príncipe é definitivamente um deles.

Rotas temáticas

Todos os dias realizámos uma rota diferente e, assim, pudemos conhecer este paraíso tropical:

Rota 1: Ilhéu das Rolas e a Linha do Equador

O passeio ao Ilhéu das Rolas foi uma das experiências mais marcantes da nossa viagem a São Tomé e Príncipe. A aventura começou logo de manhã, com uma paragem para admirar o impressionante Pico Cão Grande, uma agulha vulcânica com cerca de 370 m de altura que se ergue abruptamente no meio da floresta tropical. Considerado um dos símbolos naturais do país, é uma das paisagens mais fotografadas de São Tomé e um verdadeiro postal do arquipélago.

A partir da Praia Cabana embarcámos rumo ao Ilhéu das Rolas, uma pequena ilha situada (quase) exatamente sobre a linha do Equador. Durante a travessia, o mar azul-turquesa e a vegetação exuberante anunciam a chegada a um dos locais mais emblemáticos do país. Antes de chegar ao Marco do Equador, fizemos paragens em duas praias paradisíacas: a Baía Xinha, uma pequena enseada de águas cristalinas rodeada por vegetação tropical, e a Praia Bateria, conhecida pela sua areia clara, águas tranquilas e ambiente praticamente intocado. Eu acho que o paraíso deve ser algo parecido com esta praia!

Um dos momentos mais especiais do dia foi a caminhada até ao Marco do Equador, monumento que assinala a passagem da linha imaginária que divide os hemisférios Norte e Sul. Estar com um pé em cada hemisfério é uma experiência simbólica que atrai muitíssimos visitantes. Eu senti uma alegria imensa por estar neste ponto exato do mundo! Não é todos os dias que estamos em dois hemisférios ao mesmo tempo! Pelo caminho, passámos ainda pela Praia Café, uma das mais bonitas do ilhéu, onde o contraste entre o verde da floresta e o azul do oceano cria cenários de rara beleza.

Antes do regresso à capital, ainda houve tempo para desfrutar da Praia Piscina, uma pequena baía protegida por formações rochosas que criam águas calmas e transparentes, perfeitas para um mergulho relaxante e deixar-se estar…

Entre praias paradisíacas, paisagens vulcânicas e um dos pontos geográficos mais famosos do planeta, este foi um passeio que reúne alguns dos maiores tesouros naturais de São Tomé e Príncipe.

 Rota 2: Entre o Cacau e as Praias Selvagens

Conhecida como a "Ilha do Chocolate", São Tomé tem uma história profundamente ligada, claro está, ao cacau, e esta rota foi uma excelente oportunidade para compreender a importância desta cultura para o país. O dia começou com a visita à plantação de cacau Francisco Cabral, onde, acompanhados por uma colaboradora muito simpática, pudemos assistir às diferentes etapas do processo de produção, desde a fermentação até à secagem dos grãos ao sol. Foi muito interessante perceber como um produto tão comum no nosso dia a dia exige tanto conhecimento, tempo e dedicação antes de chegar às fábricas de chocolate.

Depois de mergulhar na história do cacau santomense, seguimos para dois dos cenários costeiros mais bonitos da ilha. A Praia dos Tamarindos, com a sua extensa faixa de areia, água quente sem ondas e ambiente muitooooo tranquilo, oferece uma paisagem muito diferente das praias tropicais mais conhecidas, tem relva e uma montanha ao lado. Acredita que há que ver para crer!

Pouco depois chegámos à Lagoa Azul, um dos locais mais fotografados de São Tomé e percebemos exatamente porquê. Primeiro o guia parou o jeep na estrada para vermos a partir de uma perspetiva superior. Ficámos de boca aberta a olhar para as águas cristalinas em tons azul-turquesa. Aqui até os coqueiros inclinados sobre o mar são bonitos! Sem dúvida, um local perfeito para relaxar dentro de água (não há areal) ou praticar snorkeling. Aproveita para cumprir sempre com o pedido no cartaz à entrada da lagoa: Não tire nada além de fotos. Não deixe nada além de pegadas. Não leve nada além de saudade.

O almoço foi uma das surpresas mais agradáveis do dia. Em vez de optarmos por um restaurante turístico, seguimos para Neves para provar a famosa santola no Restaurante Santola. A refeição foi simples, autêntica e absolutamente deliciosa. De facto, custa acreditar que tenhamos pago apenas cerca de 6€ por pessoa por uma santola fresca! Foi um daqueles momentos que nos fazem perceber que, muitas vezes, as melhores experiências de viagem não são as mais caras, mas sim as mais genuínas!

Se não quiseres comer santola, vai ao Resort Mucumbli, situado no topo de uma falésia, com vistas privilegiadas sobre o oceano, este pequeno refúgio ecológico combina gastronomia local, tranquilidade e uma das melhores vistas panorâmicas da costa norte da ilha.

Durante a tarde, continuámos a viagem pela história de São Tomé. Visitámos o Padrão do Descobrimento, monumento que assinala a chegada dos navegadores portugueses ao arquipélago, e o Túnel de Santa Catarina, uma passagem escavada na rocha junto ao mar que se tornou uma das atrações mais curiosas da ilha. A força das ondas a bater nas formações vulcânicas e a paisagem envolvente fazem deste local um sítio particularmente fotogénico.

A rota terminou com a visita a duas das mais emblemáticas roças de São Tomé. A Roça Diogo Vaz, atualmente recuperada, é conhecida pela produção de chocolate artesanal de elevada qualidade e pela preservação do seu património histórico. Já a Roça Agostinho Neto, outrora uma das maiores explorações agrícolas do país, impressiona pela sua dimensão e pelo testemunho que oferece sobre a época em que o cacau dominava a economia santomense. Caminhar por estes espaços é como viajar no tempo e compreender melhor uma parte importante da história do arquipélago.

Entre plantações de cacau, praias paradisíacas, paisagens vulcânicas e antigas roças coloniais, este foi um dos roteiros mais completos e enriquecedores da nossa viagem a São Tomé e Príncipe.

 Rota 3: A Rota do Café

A Rota do Café leva-nos ao coração verde de São Tomé, onde a história, a agricultura e a natureza se cruzam a cada curva da estrada. O dia começou no mercado tradicional de Bobô Forro, um dos melhores locais para observar o quotidiano santomense. Entre bancas de frutas tropicais, legumes, peixe fresco e produtos locais, tivemos um primeiro contacto com a vida das comunidades que vivem longe das zonas mais turísticas da ilha.

Depois seguimos caminho para a cidade da Trindade, onde visitámos a igreja local e conhecemos um pouco mais sobre um dos episódios mais marcantes da história do país: o Massacre de Batepá, ocorrido em 1953. Este acontecimento de violência colonial, que causou a morte de centenas de santomenses, é considerado um dos momentos mais importantes na construção da identidade nacional e do caminho que viria a conduzir à independência.

A viagem continuou em direção à Roça Monte Café, uma das mais conhecidas do arquipélago. Fundada no séc. XIX, foi durante muitos anos uma das principais produtoras de café de São Tomé. Atualmente, parte das suas instalações alberga o Museu do Café, onde é possível conhecer a história desta cultura agrícola e a sua importância para a economia local. Caminhar pelas antigas estruturas da roça é uma excelente forma de compreender como funcionavam estas grandes propriedades agrícolas durante o período colonial.

Um dos momentos mais interessantes do dia foi a visita a uma cooperativa de café, onde pudemos observar de perto as diferentes etapas da produção e provar café cultivado nas montanhas santomenses. A qualidade do café surpreendeu-nos pela suavidade e pelos aromas intensos, resultado das condições únicas de altitude, humidade e fertilidade dos solos vulcânicos da ilha. Sou louca por café, portanto, aqui comprei um souvenir para mim! Por certo, as mesmas embalagens que comprei aqui por 8€, estavam à venda no aeroporto por 25€.

O almoço desta rota é especial! Ou pelo menos eu tinha muita curiosidade em visitar a Casa-Museu Almada Negreiros, instalada na histórica Roça Saudade, local onde nasceu o este artista, escritor e poeta português. O espaço foi cuidadosamente recuperado e transformado num museu e restaurante, que preserva a ligação ao artista ao mesmo tempo que valoriza a arquitetura colonial da antiga roça. A decoração combina elementos históricos, arte contemporânea e referências à vida e obra de Almada Negreiros, criando um ambiente elegante e acolhedor.

Um dos grandes destaques deste espaço é a localização privilegiada. Almoçar e contemplar uma vista magnífica sobre a floresta tropical e as montanhas do interior da ilha foi uma experiência que adorei. Ao contrário de um restaurante tradicional, aqui não há ementa nem possibilidade de escolha dos pratos. O almoço é um menu degustação, composto por vários pratos (apresentados um por um pelo empregado) preparados com produtos locais e inspirados nos sabores santomenses, o que nos permite descobrir ingredientes e combinações que dificilmente experimentaríamos de outra forma. Tem calma, é um menu de degustação, mas não ficas com fome!

Devido à reputação do restaurante e ao número limitado de lugares, recomendo que reserves com antecedência. Mais do que uma simples refeição, esta foi uma verdadeira experiência gastronómica e cultural, num dos espaços mais bonitos que visitámos em São Tomé.

De barriga cheia fomos até à Cascata de São Nicolau (não é possível tomar banho), provavelmente uma das quedas de água mais conhecidas de São Tomé. Envolvida por vegetação exuberante, ela surge como um cenário quase cinematográfico, por isso, não é de estranhar que seja uma das paragens preferidas dos turistas.

Mais do que um passeio sobre café, esta rota foi como uma viagem pela história, pela cultura e pelas paisagens montanhosas de São Tomé, mostrando um lado da ilha que muitos turistas acabam por não conhecer.

Rota 4: Angolares, História e Gastronomia

A costa sudeste de São Tomé oferece algumas das paisagens mais impressionantes da ilha e foi precisamente isso que descobrimos nesta rota. A primeira paragem foi na cidade de Santana, uma pequena localidade costeira conhecida pelas suas praias tranquilas e pelo ambiente descontraído. Seguimos depois para a Foz do Rio Abade, onde o rio encontra o oceano num cenário de grande beleza natural. Encontrámos as mulheres a lavar a roupa e a secá-la no chão. Algo impensável para nós, que estamos rendidos à máquina de lavar, mas foi muito curioso ver o chão cheio de retalhos de cor.

O percurso continuou pela histórica Roça Água Izé, considerada uma das mais importantes e emblemáticas de São Tomé. Fundada no séc. XIX, foi uma das maiores plantações de cacau do arquipélago e ainda hoje impressiona pela dimensão dos edifícios e pela atmosfera que nos transporta para outra época. Caminhar pelos seus corredores e observar as estruturas que resistiram ao tempo é uma forma de compreender melhor o papel que as roças desempenharam na economia e na história do país.

Um dos momentos mais impressionantes do dia foi a visita à Boca do Inferno. Também temos uma em Cascais, mas esta é maior e demonstra bem a força das ondas do Atlântico que invadem as formações rochosas vulcânicas, criando jatos de água e um espetáculo natural que justifica plenamente o nome.

Pelo caminho, passámos pela Praia das Sete Ondas, uma das praias mais conhecidas desta zona da ilha. O nome já diz tudo: mar agitado pelas ondas sucessivas que chegam à costa. A paisagem é bonita, selvagem e muito fotogénica. Não é uma praia para grandes mergulhos, eu nem cheguei a entrar, mas é perfeita para parar, observar a força do Atlântico e sentir esse lado mais indomável de São Tomé.

Daqui fomos à Praia Micondó, mais tranquila e rodeada por vegetação tropical, onde o ambiente parece muito mais remoto e autêntico. Esta parte da ilha mostra um São Tomé menos turístico, mas absolutamente fascinante. São daqueles lugares que nos fazem sentir que descobrimos um segredo ainda bem guardado!

O ponto alto do roteiro chegou à hora do almoço, na famosa Roça São João dos Angolares. Instalada numa antiga roça recuperada, este espaço é muito mais do que um restaurante: é um projeto cultural e gastronómico que celebra os sabores e tradições de São Tomé. O almoço é servido em formato de degustação, sem possibilidade de escolha dos pratos, o que nos permite provar diferentes especialidades preparadas com ingredientes locais e sazonais.

Um dos aspetos mais especiais da experiência é a presença do chef João Carlos Silva, que costuma passar pelas mesas para conversar com os visitantes, explicar os pratos e partilhar histórias sobre a cultura e a gastronomia do país. A propriedade inclui uma pequena loja com produtos locais, livros e artesanato, tudo isto enquadrado por uma vista extraordinária sobre o oceano e a vegetação tropical. Como é um dos restaurantes mais procurados da ilha, aconselho vivamente a reservares com antecedência (35€/pessoa).

Esta rota foi uma combinação perfeita entre natureza, património e gastronomia. Vimos um lado de São Tomé onde a história e os sabores locais se encontram em cenários de excecional beleza.

Rota 5: À Descoberta das Cascatas da Floresta Tropical

Embora este passeio não fizesse parte do programa inicial da viagem, acabou por se tornar uma das experiências mais especiais que vivemos em São Tomé. Ao longo dos dias, o nosso guia percebeu rapidamente o quanto gostávamos de natureza, caminhadas e locais menos turísticos. Por isso, propôs-nos uma rota extra, para o último dia, pelo interior da ilha, à descoberta de várias cascatas escondidas no meio da floresta tropical.

O percurso levou-nos ao coração verde de São Tomé, uma região onde a vegetação parece crescer sem limites e onde cada curva revela uma nova paisagem. Caminhámos por trilhos rodeados de árvores diferentes, atravessámos pequenas pontes e ouvimos o som da água a correr entre a floresta. Pelo caminho encontrámos várias cascatas, algumas mais conhecidas, outras praticamente escondidas, mas que são autênticos refúgios naturais longe de qualquer agitação humana.

O que mais me impressionou foi a sensação de estar num lugar quase intocado, onde estávamos só nós e a natureza no seu estado mais puro. Adorei a Cascata Bombaim que surgiu, inesperadamente, para mim, entre a vegetação. Em vários momentos parámos simplesmente para apreciar a paisagem, ouvir os sons da floresta e absorver a tranquilidade que tão caracteriza São Tomé.

Foi também neste passeio que percebi por que razão tantas pessoas se apaixonam por este país. As praias são extraordinárias, mas existe um outro São Tomé, menos fotografado e igualmente fascinante: o das montanhas, dos rios, das cascatas e da floresta tropical. Um São Tomé mais selvagem, mais autêntico e profundamente ligado à natureza.

Se tiveres a oportunidade de personalizar a tua viagem, recomendo vivamente incluir um passeio semelhante. Por vezes, são precisamente as experiências que não estavam planeadas que acabam por se transformar nas melhores memórias de uma viagem.

O almoço teve lugar na encantadora Roça Santo António Ecolodge, um refúgio rodeado por floresta tropical onde o tempo parece correr mais devagar. A tranquilidade do espaço, a beleza da natureza envolvente e a atmosfera acolhedora fizeram desta uma das refeições mais especiais da viagem.

Enquanto saboreávamos o almoço, demos por nós a pensar que dentro de poucas horas estaríamos a caminho de Lisboa. Pela primeira vez durante toda a viagem, sentimos aquela estranha mistura de gratidão e tristeza que surge quando sabemos que uma experiência inesquecível está prestes a terminar. São Tomé e Príncipe tinha-nos conquistado de tal forma que nenhum de nós tinha vontade de partir. Talvez porque há destinos que visitamos... e outros que, de alguma forma, passam a fazer parte de nós.

 E a capital de São Tomé e Príncipe?

Não estava esquecida, é que capital, São Tomé, que fomos conhecendo pouco a pouco ao final de cada dia. Depois dos passeios pelas diferentes regiões da ilha, regressávamos à cidade e aproveitávamos as últimas horas de luz para passear pelas suas ruas, observar os edifícios coloniais, conhecer a Praça da Independência, a Sé Catedral de Nossa Senhora da Graça, o Palácio Presidencial e o Forte de São Sebastião, onde funciona atualmente o Museu Nacional.

Talvez por isso as minhas memórias da capital estejam tão associadas aos seus magníficos pores do sol. Enquanto caminhávamos junto ao mar ou procurávamos um local para jantar, o céu transformava-se num espetáculo de cores, com tons de laranja, dourado e rosa a refletirem-se sobre o oceano. Foram momentos simples, sem nada em particular, mas que ajudaram a tornar São Tomé ainda mais especial, ajudaram!

 À Mesa em São Tomé

Uma das melhores formas de conhecer um país é sentar-se à mesa. E São Tomé não foi exceção. Ao longo da viagem tivemos a oportunidade de provar vários pratos típicos e descobrir uma gastronomia simples, autêntica e fortemente ligada aos produtos locais. O peixe fresco e o marisco surgem com frequência nos menus, mas também há espaço para banana-pão, fruta tropical, café e, claro, o famoso cacau santomense.

Na capital houve três restaurantes que me conquistaram particularmente: o Petiscos Vilma, o Pirata e o Papa Figos. São três espaços bastante diferentes entre si, mas onde comemos sempre muito bem. Em todos encontrámos pratos bem confecionados, peixe fresco e um ambiente descontraído que nos permitiu desfrutar das refeições sem pressas.

Durante estes dias apercebi-me também de uma realidade curiosa. Os preços praticados em muitos restaurantes da capital não diferem muito daqueles que encontramos em Madrid (refiro-me, obviamente, ao menu de almoço disponível de 2.ª a 6.ª feira, que ronda os 14 e os 16€). Na nossa viagem, tínhamos os almoços incluídos, mas os jantares custaram todos à volta de 16 a 20 € por pessoa, valores perfeitamente normais para um visitante europeu, mas difíceis de conciliar com a realidade económica de grande parte da população local. É um contraste que não passa despercebido a quem procura compreender um pouco melhor o país para além das paisagens e dos locais turísticos.

Mais do que os restaurantes em si, aquilo que guardo na memória são os sabores. Não é uma gastronomia sofisticada nem elaborada, mas é precisamente essa simplicidade que a torna tão genuína.

No final, viajar também é isto: descobrir um destino através da sua comida, das suas tradições e das conversas que acontecem à volta da mesa. E, nesse aspeto, São Tomé soube receber-nos muito bem.

Um agradecimento especial ao nosso guia

Nenhum artigo sobre esta viagem ficaria completo sem uma referência ao nosso guia, Edney Diogo. Durante vários dias acompanhou-nos pelas estradas, praias, roças e trilhos de São Tomé, sempre com um sorriso, uma história para contar e uma enorme vontade de mostrar o melhor do seu país. À medida que nos foi conhecendo, adaptou os passeios àquilo de que mais gostávamos e ajudou-nos a descobrir locais e experiências que tornaram a viagem ainda mais especial.

Há guias que nos mostram um destino e há pessoas que acabam por fazer parte da viagem. O Edney pertence claramente ao segundo grupo. Regressámos a casa com centenas de fotografias, muitas memórias felizes e a certeza de que, em São Tomé, deixámos um amigo

Saio de São Tomé com a certeza de que voltarei. Há destinos que nos impressionam pela beleza e outros que nos conquistam pela forma como nos fazem sentir. São Tomé conseguiu fazer as duas coisas. Encantou-me com as suas paisagens, surpreendeu-me com a sua história e conquistou-me com a simpatia do seu povo.

Há, contudo, uma característica de São Tomé que não aparece nas rotas, não se visita e não se fotografa facilmente, mas que merece ser falada: o famoso "Leve Leve". Mais do que uma expressão, é uma forma de estar na vida. Aqui ninguém parece viver com a pressa a que estamos habituados na Europa. Os problemas resolvem-se com calma, as conversas prolongam-se sem olhar constantemente para o relógio e os dias seguem um ritmo ditado pela natureza e não pela agenda. Nos primeiros dias pode causar alguma estranheza. Depois começamos a perceber o seu encanto. E, quando regressamos a casa, damos por nós a sentir falta dessa tranquilidade que parece existir em cada esquina da ilha.

Apesar de tudo, termino esta viagem com um sentimento agridoce. Quero muito que mais pessoas descubram este destino extraordinário e percebam tudo o que ele tem para oferecer. Mas também gostava que continuasse a conservar a autenticidade, a tranquilidade e a simplicidade que hoje o tornam tão especial. Sei que é um desejo difícil de concretizar. O turismo traz oportunidades e desenvolvimento, mas espero que São Tomé consiga crescer sem perder a sua essência. 

Talvez seja essa a maior riqueza destas ilhas: a sensação de que ainda existem lugares no mundo onde a natureza dita o ritmo, onde as praias continuam quase vazias e onde a autenticidade não é uma estratégia de marketing, mas uma forma de vida. E espero sinceramente que assim continue por muitos anos.

Obrigada por me acompanhares nesta viagem!

Se este artigo te inspirou, guarda-o para mais tarde, partilha-o com alguém que goste de viajar ou deixa um comentário com a tua opinião!

Eu continuarei por aqui, mochila às costas, à procura de novas histórias para contar. 🎒❤️

📸 Podes acompanhar as minhas viagens no Instagram @alentejanamochileira


📷 Todas as fotografias deste artigo foram captadas durante a minha viagem. Se pretenderes utilizar alguma imagem, entra em contacto comigo primeiro.

Comentários

Mensagens populares