Madeira: um lugar que fica na memória!
Esta ilha é muito mais do que um destino turístico: é um lugar que fica na memória!
Brevíssima história da Madeira
Reza a lenda que, durante uma tempestade em alto mar, um
navio naufragou e apenas dois marinheiros sobreviveram, conseguindo chegar à
ilha do Porto Santo. Da ilha, no meio da tempestade, avistaram um grande
monstro adormecido que emergia entre as ondas. No dia seguinte, quando a
tempestade amainou, puderam observar que o que estavam a ver não era um monstro
marinho, mas sim a ilha da Madeira.
Um ano depois, em 1419, os navegadores João Gonçalves Zarco
e Tristão Vaz Teixeira conseguiram chegar à Madeira, que recebeu esse nome,
devido à abundância deste material. Descoberto o potencial da ilha e a sua
importância estratégica, por volta de 1425 iniciou-se a colonização da ilha por
ordem do rei D. João I de Portugal. Para tornar possível a colonização, foram
obrigados a desmatar uma grande parte da densa vegetação para poder instalar as
habitações, as zonas de cultivo e construir as levadas. Muito rapidamente, a
Madeira tornar-se-ia uma importante produtora de açúcar e vinho da Madeira, famoso
em todo o mundo.
Ao longo dos séculos, a ilha foi escala de rotas marítimas,
alvo de ataques de corsários e, já no século XX, transformou-se num destino
turístico de excelência, preservando sempre a sua identidade cultural e
natural.
Porquê visitar a Madeira?
Nós não tínhamos planos para este verão. Num domingo
estávamos a almoçar em Tembleque (Toledo, Espanha) quando falámos em ir a
Tenerife. Daqui passámos para Cádis e acabámos por comprar uma viagem à
Madeira. Tudo a correr, sem planificação, mas com muita vontade. Só sabíamos
que era bonito. Sinceramente, é muito mais do que isso! Por isso, apresento-te
cinco razões para acrescentares a Madeira na tua lista de próximos destinos:
Paisagens impressionantes: das falésias escarpadas
até aos exuberantes jardins, a Madeira é um paraíso natural que deslumbra a
cada passo que dás. Cada cenário é único, acredita!
Clima ameno todo o ano: a Madeira oferece
temperaturas suaves, o que a torna um destino perfeito em qualquer estação do
ano. Nós visitámos a ilha no início de setembro e, à exceção de um dia, todos
os dias foram com sol. Até no Pico do Arieiro estava calor!
Gastronomia única: aqui come-se muito bem! Prova
pratos tradicionais como a espetada ou o bolo do caco acompanhados por vinhos
locais únicos ou pela cerveja Coral (produzida na ilha).
Hospitalidade: os habitantes da Madeira estão sempre
dispostos a ajudar e a partilhar o orgulho que têm pela ilha, dão dicas e
contam histórias interessantes.
Cultura e tradição: faz os tours que te
apetecer para descobrir a rica história e cultura da Madeira patente nas aldeias, igrejas históricas e festivais tradicionais, etc.
Quantos dias são necessários para conhecer a Madeira
Embora considere que para conhecer o imprescindível da ilha
da Madeira sejam necessários pelo menos quatro dias completos (5 noites), um na
capital e dois para percorrer as costas oeste e este da ilha, acho que é importante
incluir dois dias para realizar, pelo menos, uma das rotas de trekking,
as famosas levadas, e outro para visitar a ilha de Porto Santo (todos os dias
saem ferryboats às 8h com regresso às 20:00, o trajeto demora 2h30).
Segundo nos disseram, Porto Santo é um verdadeiro paraíso de areia dourada, por
isso só um dia pode ser mesmo muito pouco…
Nós decidimos fazer esta viagem em menos de 48h. Não
tínhamos nada preparado, não fizemos pesquisa (só do hotel) e não comprámos um
guia. Só pensámos: se toda a gente adora visitar a ilha da Madeira, nós não
vamos ser diferentes. E não fomos! Partilho contigo o que fizemos 😊
O que ver na Madeira em 5 dias: itinerário
Primeiro Dia
No primeiro dia chegámos por volta das 16h00 ao Funchal e
fomos diretamente para o nosso excelente hotel (mais informação abaixo).
Depois de divertir-nos na piscina ao lado do mar, fomos
conhecer os arredores, onde destaco o Túnel das Poças do Gomes, construído originalmente
para o transporte de água, liga a Praia Formosa à Doca do Cavacas. Reabilitado
em 2023, o túnel tem 3 pequenas janelas com vistas do Atlântico. Muito bonito! E
também há um rochedo negro, na Praia Formosa, onde todas as tardes, locais e
turistas, se juntam para contemplar o espetáculo do céu a incendiar-se sobre o
Atlântico, transformando este rochedo numa espécie de miradouro natural
imperdível.
Segundo Dia
Fomos diretamente às piscinas naturais da Doca do Cavacas,
formadas por estruturas de rocha vulcânica e acesso direto ao mar, que oferecem
um dia de tranquilidade e aventura sem igual. Eu gostei tanto que vim aqui duas
vezes! Podes ver os peixinhos a olho nu, fazer snorkeling, nadar ou
simplesmente apanhar sol num ambiente muito tranquilo ainda que esteja cheio de
gente! Não percas a oportunidade de ver aqui o pôr do sol! As instalações
incluem vestuários, chuveiros, espreguiçadeiras e restaurante, a entrada custa
6€ (com espreguiçadeira 9€) e inclui acesso a todos os serviços.
Daqui, passeámos ao longo da bonita Promenade do Lido
à beira-mar, que conta com uma ligação pedonal entre esta área e a Praia
Formosa, onde estávamos alojados, e com várias áreas ajardinadas que convidam a
descansar enquanto contemplas a vista sobre o mar.
Voltámos para o hotel com a certeza que o nosso melhor
descanso seria comprando uns tours para não perder o mais importante da
ilha. Como referi antes, não tínhamos nada planificado, só queríamos
descansar!!! (Foi o que menos fizemos e soube tão bem!)
Funchal
Funchal é a capital do arquipélago da Madeira, fica no sul
da ilha a 20 minutos de distância do aeroporto.
O shuttler do hotel deixou-nos na Praça CR7, onde se
encontra a estátua e o Museu Cristiano Ronaldo. Nós não entrámos porque não
tínhamos tempo, mas o bilhete custa 5€ e apresenta a história do craque, podemos
ver vários troféus e a loja é caríssima. À frente do museu fica a famosa
estátua do CR7 (foto obrigatória, claro, é o nosso capitão!) e ao lado o
Pestana CR7 Hotel.
Daqui fizemos o passeio a pé até ao centro (10 min/ máximo) pela Avenida do Mar.
Não visitámos o Funchal de uma ponta à outra. Passeámos pela
baixa, vimos edifícios emblemáticos, fomos ao colorido Mercado dos Lavradores
de 2 andares, com muita fruta, produtos e flores emblemáticas da ilha –
estrelícias, orquídeas e proteias – aqui somos atendidos por floristas vestidos
com o traje típico da Madeira. Mercado caríssimo, mas de visita obrigatória.
Destaco que numa visita com mais tempo, não perdia a oportunidade de visitar o Teatro Municipal, a Catedral de estilo gótico colonial e a Igreja barroca do Colégio, as Adegas de São Francisco e o Miradouro das Cruzes. Também aproveitaria para visitar uma casa senhorial como a de Frederico de Freitas, visitar museus, como o de Arte Sacra que apresenta uma coleção de arte desde o séc. XVI ou assistir à história da Madeira (um filme de 30 minutos, no Madeira Film Experience, no Marina Shopping). Adorava ter tido tempo para sentar-me numa esplanada à beira-mar, no Miradouro da Barreirinha, para ver o ritmo da cidade e ter visitado uma zona de animação noturna para beber uma poncha.
Contudo, a nossa tarde foi incrível lá em cima! A subida ao
Monte no Teleférico foi espetacular. A viagem custa 14€ ida – 20€ ida/volta). O trajeto de 3,2 km demora 18 minutos
e aconselho vivamente a fazê-lo numa das 39 cabines (7 lugares cada uma),
porque a vista panorâmica do Funchal é fantástica.
Lá em cima está o Monte Palace Tropical Garden, um dos lugares mais fascinantes da Madeira e uma paragem obrigatória para quem visita a ilha. Espalhado por cerca de 70 mil m2, o jardim combina uma impressionante coleção de plantas exóticas de todo o mundo com lagos, cascatas, pontes orientais e azulejos portugueses que contam a história de Portugal. Além da riqueza botânica, o espaço também oferece uma coleção de minerais e esculturas contemporâneas. Aqui a natureza, a arte e a cultura encontram-se em perfeita harmonia.
Não percas o Poncha Bar, numa casinha tipicamente madeirense com o carro dos cestos à porta, onde podes tirar fotos muito giras e beber ponchas regionais enquanto admiras as vistas sobre o Funchal e vês descer os míticos carrinhos.
Supostamente a visita ao jardim dura 3 horas, mas eu teria passado ali mais tempo. À entrada dão-te um mapa, tiras 3 fotografias (12€ cada uma, mas só compras se quiseres à saída) e o bilhete incluí um cálice de vinho Moscatel, na BlueHouse Café. Horário: todos os dias (exceto 25 de dezembro), custa 15€ (as crianças até aos 14 anos não pagam), das 9 às 18H00.
E agora como vamos para baixo?
Podes ir de táxi, mas sai por 2€ ir de autocarro (n.º 20, 21,
22 e 48 - apanha-se perto da igreja). Se quiseres realizar uma viagem típica da
ilha, experimenta fazer o percurso vertiginoso dos carrinhos de cesto daMadeira, 2 km de distância/ 10 minutos a alta velocidade, mas com segurança
absoluta. Os pilotos vão vestidos com a roupa típica de algodão da ilha,
chapéus de palha e sapatos com sola de borracha que usam como travão.
Os cestos, usados desde 1850, foram o meio de transporte dos locais que viviam nos bairros altos da capital. São de madeira e podem levar 3 pessoas (máx.), por 35€. Quando chegares ao fim da viagem, ou caminhas 30 minutos até ao centro do Funchal ou apanhas o autocarro que te comentei acima. Já que menciono os autocarros, quero acrescentar que são impróprios para cardíacos: uma velocidade louca, até nas curvas! Não precisas de ir a uma feira, estes autocarros são um verdadeiro carrossel!
Se ainda não quiseres descer, podes visitar o bairro do
Monte, que conta com vários miradouros, a Igreja de Nossa Senhora do Monte,
onde se encontra o túmulo de Carlos de Habsbourg, o último imperador da
Áustria, que viveu aqui, e o jardim tropical citado antes, como também podes
apanhar outro teleférico que te leva ao Jardim Botânico, outra joia da ilha.
De coração cheio voltámos para o hotel, queríamos assistir
novamente ao pôr do sol.
Terceiro Dia
No hotel comprámos duas excursões, realizadas pela empresa DGTravel Viagens e Turismo, uma para zona Leste da Madeira outra para Oeste.
Infelizmente, ambas não incluíam Curral das Freiras, que segundo outros
hóspedes, tem uma das vistas mais impressionantes da ilha, principalmente,
desde o Miradouro da Eira do Serrado (a mais de 500 m de altura).
O nosso passeio pela zona leste da Madeira foi uma
verdadeira aventura! Começámos em Machico, onde a baía tranquila é
perfeita para um mergulho matinal ou simplesmente para estender a toalha na
areia. Se fores fã de peixe fresco, aproveita para almoçar num dos restaurantes
junto à praia. Daí seguimos até à Ponta de São Lourenço, com trilhos que
parecem transportar-nos para outro planeta — leva calçado confortável, protetor
solar e água, porque a caminhada até à Casa do Sardinha é imperdível.
Na Portela, fizemos uma paragem no miradouro: a vista
para o vale do Faial e as montanhas é daquelas que merecem muitas fotos (e stories!).
Já no Faial, o ambiente é mais calmo, ideal para um café com vista para
o mar ou até para explorar algumas levadas próximas. Em Santana, não
podíamos deixar de visitar as casas típicas de colmo — dá para entrar em
algumas e sentir a tradição bem de perto. Ah, e fica a dica: há restaurantes
por ali que servem a famosa “espetada em pau”, simplesmente deliciosa!
Para terminar em grande, subimos ao Pico do Arieiro (1818 m
de altura!), um dos pontos mais altos da Madeira. A estrada até lá já é um
espetáculo, mas nada bate chegar ao topo e encontrar um mar de nuvens a perder
de vista. Se tiveres tempo, energia e não sofreres de vertigens, o trilho que
liga o Pico do Arieiro ao Pico Ruivo é considerado um dos mais bonitos da ilha
— só não te esqueças de verificar a meteorologia antes de te aventurares!
Quarto Dia
O nosso passeio pela zona oeste da Madeira foi daqueles em que a cada paragem parecia que estávamos a descobrir uma nova ilha dentro da ilha! Começámos em Porto Moniz, onde as piscinas naturais de origem vulcânica são irresistíveis para um mergulho — leva fato de banho, toalha e tempo, porque não vais querer sair dali tão cedo.
Depois seguimos até ao Pico da Torre, um miradouro menos conhecido, mas com vistas incríveis sobre Câmara de Lobos, perfeito para fugir às multidões e tirar aquelas fotos panorâmicas que todos gostamos. De lá, fomos até ao imponente Cabo Girão, com o seu famoso skywalk de vidro suspenso a 580 m de altura — se não tiveres vertigens, olha para baixo, a sensação é única!
A próxima paragem foi em Ribeira Brava, uma vila simpática para um passeio tranquilo pelo centro e uma visita rápida à igreja matriz. No Paúl da Serra, mudámos completamente de cenário: um planalto amplo, onde as montanhas parecem estender-se sem fim. É o ponto de partida ideal para trilhos como o das 25 Fontes e Risco, por isso leva sapatos confortáveis se fores aventureiro.
Já no Seixal, fomos surpreendidos por uma das praias
mais bonitas da ilha, com areia preta vulcânica e águas cristalinas — ótima
para relaxar ou até fazer snorkeling. E para terminar o dia, chegámos à
charmosa vila de São Vicente, com as famosas grutas vulcânicas, que nos
levam numa viagem ao interior da terra e à história geológica da Madeira.
Adorei os dois tours que fizemos, mas sabendo o que
sei hoje, não tenho dúvidas que teria alugado um carro, porque em alguns sítios
teria ficado mais tempo, e noutros só 5 minutos para tirar a foto.
Passámos a manhã a chapinhar na piscina do hotel. Nós
ficámos alojados no Pestana Ocean Bay All Inclusive. O hotel fica longe
do centro, mas tem um shuttler gratuito duas vezes ao dia. Um hotel de
quatro estrelas, todos os quartos têm vista para o mar, instalações
confortáveis e muita simpatia e profissionalismo por parte dos funcionários. A
comida é deliciosa, há snacks todo o dia e a bebida é grátis até às 23h.
Voltava a ficar aqui, sem hesitar!
Já sabes que eu sou muito citadina, as cidades são o meu
mundo! Contudo, no futuro gostava de me atrever a fazer uns passeios a pé pelas
Levadas, um dos grandes tesouros da ilha: trilhos que seguem antigos canais de
irrigação e levam os aventureiros por paisagens deslumbrantes. Se é a tua
primeira vez, aposta em percursos como a Levada das 25 Fontes e Risco, com
cascatas mágicas, ou a Levada do Caldeirão Verde, que atravessa túneis e revela
vistas impressionantes sobre o vale de São Jorge. Para quem procura algo mais
acessível, a Levada do Rei é perfeita para sentir a Laurissilva de perto. Tenho
a certeza que de qualquer escolha garante natureza, aventura e momentos
inesquecíveis!
Como chegar à Madeira
O Aeroporto Internacional Cristiano Ronaldo da Madeira fica
no município de Santa Cruz e tem voos diretos para Portugal (Lisboa, Porto e
Açores) e para várias cidades europeias.
Do aeroporto até ao Funchal, podes apanhar um autocarro (Aerobus
9 – 6,5€) ou um táxi. O Uber também funciona na Madeira.
Imagino que já tenhas ouvido falar da pequena pista de aterragem do aeroporto. Agora, com a ampliação, é mais fácil chegar sem stress — mas o vento continua a ser o mestre do suspense! Mas nem lhe ligues, desfruta da vista espetacular de aterrar quase a tocar o mar. Aterragem feita, aventura garantida: só precisas de colocar os pés no chão e explorar cada cantinho deste lugar único!
Quatro dias foram poucos. Já temos vontade de voltar para ver mais deste paraíso atlântico. Entre mergulhos, passeios e algumas aventuras que quase nos fizeram perder o fôlego, percebemos que uma visita não é suficiente. Cada pôr do sol é uma desculpa para ficar mais um dia e cada sorriso local é um convite a voltar. Esta ilha tem o poder de deixar saudades ainda antes de irmos embora!
Tenho a certeza que vais adorar viajar até aqui!
Se quiseres visitar a Madeira envia-me um email, e eu ajudo-te a preparar a viagem!
Muita saúde e boa viagem!
Mais fotos e reels no Instagram. Segue-me @alentejanamochileira
O conteúdo deste artigo baseia-se na minha experiência e preferências pessoais.
Se tiveres dúvidas ou sugestões sobre como melhorar este guia, não hesites em escrever-me nos comentários abaixo e, se for caso disso, acrescentarei o que me solicitas ao texto.













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